Vacina experimental contra ebola não gerou efeitos adversos em teste com humanos

Resultado alimenta esperanças na busca de um medicamento contra o vírus

Dr. Anthony Fauci, right, the director of the National Institute of Allergy and Infectious Diseases testifies before the Senate Appropriations Subcommittee on Labor, Health and Human Services, and Education joint hearing on, "Ebola in West Africa: A Global Challenge and Public Health Threat," on Capitol Hill in Washington, Tuesday, Sept. 16, 2014. (AP Photo/Susan Walsh) - Susan Walsh / AP

Dr. Anthony Fauci, right, the director of the National Institute of Allergy and Infectious Diseases testifies before the Senate Appropriations Subcommittee on Labor, Health and Human Services, and Education joint hearing on, “Ebola in West Africa: A Global Challenge and Public Health Threat,” on Capitol Hill in Washington, Tuesday, Sept. 16, 2014. (AP Photo/Susan Walsh) – Susan Walsh / AP

Mais de sete meses depois da explosão do surto de ebola na África Ocidental, potenciais medicamentos contra o vírus começam a gerar resultados positivos em laboratório. O diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, Anthony Fauci, anunciou nesta terça-feira (16) que o primeiro teste clínico de uma vacina no país não provocou reações adversas em pacientes.

Desde fevereiro, a doença já causou a morte de mais de 2.461 pessoas em 4.985 casos, de acordo com o último registro da Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgado nesta terça-feira.

Os países mais afetados são Libéria, Guiné e Serra Leoa.

Desenvolvido anos atrás pela empresa GlaxoSmithKline, o fármaco já tinha dado bons resultados em testes com macacos. No entanto, desde o dia 2 de setembro, 10 voluntários se prontificaram a receber a vacina. Em audiência no Senado dos Estados Unidos, Fauci declarou que os primeiros sinais foram positivos.

– Até agora, não há evidência que indique reações graves – disse o diretor.

Outras 10 pessoas receberam as injeções nos próximos dias, totalizando 20 voluntários de 20 a 50 anos e em bom estado de saúde. Os resultados completos deste estudo estarão disponíveis no fim do ano. Já no Reino Unido, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Oxford fará a análise clínica da mesma vacina em outros 60 voluntários.

Outras 10 pessoas receberam as injeções nos próximos dias, totalizando 20 voluntários de 20 a 50 anos e em bom estado de saúde. Os resultados completos deste estudo estarão disponíveis no fim do ano. Já no Reino Unido, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Oxford fará a análise clínica da mesma vacina em outros 60 voluntários.

Também nesta terça-feira, ao anunciar o envio de três mil solados à Libéria para ajudar nos esforços contra a epidemia, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que o ebola é “uma ameaça à segurança global”. Ele disse elevará a responsabilidade dos EUA no papel de combate ao vírus e que o “mundo esperava uma resposta do país”.

Os três mil soldados americanos terão a missão de construir 17 postos de saúde, treinar 500 agentes médicos e voluntários civis e distribuir cerca de 130 mil kits de primeiros socorros. A base de comando dos EUA será instalada em Monróvia, capital da Libéria. Além disso, serão destinados U$ 500 milhões diretamente do orçamento da Defesa, verba normalmente usada em guerras como a do Afeganistão.

Na coletiva de imprensa, Obama declarou que a epidemia o aumento da epidemia poderia ter “profundas implicações políticas, econômicas e de segurança”. O presidente americano disse ainda que o surto chegou a níveis intoleráveis na África Ocidental, com “hospitais lotados e pessoas morrendo nas ruas”.

MÉDICO SEM FRONTEIRAS

O diretor de operações do Médico sem Fronteiras (MSF), Brice de la Vingne, comemorou o anúncio de auxílio americano.

– Embora não tenhamos visto detalhes oficiais, valorizamos a ambição do novo plano de resposta ao Ebola dos Estados Unidos, que parece atender o escopo do desastre que está se desdobrando na África Ocidental – afirmou.

Ele ratificou, ainda, que é necessário que essa “recente promessa”, juntamente com outras feitas por uma série de países, deve ser colocada em prática “imediatamente”.

– Hoje, a resposta ao Ebola continua perigosamente insuficiente e muitas vidas estão sendo perdidas.

Precisamos que mais países se mobilizem, precisamos de mais ação concreta em campo, e precisamos disso agora – disse e se mostrou otimista, ao afirmar que a ajuda pode começar a “reverter a tendência dessa luta, a qual estamos perdendo coletivamente, contra o Ebola”.

 Fonte: O Globo

 

 

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