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Obesidade é fator de risco para o câncer

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Dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, mostram que a parcela de pessoas obesas no Brasil aumentou 54% nos últimos seis anos, atingindo 17% da população. Projeção da Organização Mundial da Saúde (OMS), aponta que, em 2015, cerca de 2,3 bilhões de adultos vão estar com sobrepeso e mais de 700 milhões serão obesos.
O que muitas pessoas não sabem é que a obesidade é o segundo maior fator de risco evitável para o câncer, ficando atrás apenas do tabagismo. E o risco é ainda maior para as mulheres. Pesquisa realizada este ano pela University of Texas Southwestern Medical Center (EUA) reforça outro estudo já publicado – em 2010 – na revista Breast Cancer Research and Treatment: há uma ligação entre a progressão do câncer de mama e a obesidade.

Segundo o oncologista Bruno Fuser, especialista em oncologia clínica pelo Hospital Royal  Marsden e o Instituto de Pesquisa de Câncer de Londres, “as mulheres obesas correm mais risco de desenvolver câncer de mama, principalmente ao atingir a menopausa”. Para ele, que é coordenador da Oncologia da Clínica São Carlos (RJ), a obesidade ainda é fator de risco com aumento da mortalidade entre os casos de câncer de cólon/reto e endométrio.

O médico explica que a obesidade, no momento do diagnóstico, também está associada com um risco aumentado de mortalidade em mulheres com câncer de mama em estágio inicial, bem como, potencialmente, nos homens com câncer de próstata e indivíduos com câncer colorretal. Além disso, pessoas obesas apresentam os piores resultados quando o câncer de mama é diagnosticado, pois as células de gordura são ativas na produção hormonal (principalmente estrógeno) e de fatores de crescimento, características que contribuem para acelerar a produção e a divisão celular. “Quanto mais as células se duplicam, maiores são as chances de alguma replicação ser inadequada, dando origem a uma célula maligna”, observa.

Fuser alerta que apesar da importância do autoexame é fundamental que as mulheres façam a mamografia regularmente, sob orientação médica, com a frequência de acordo com o risco individual de desenvolver câncer de mama, como história familiar e idade. “A mamografia detecta tumores pequenos que o autoexame não consegue. O autoexame não funciona para diagnosticar a doença, pois nem sempre um caroço no seio indica um câncer e em outros casos ajuda o diagnostico tardio”, frisa.

Homens obesos sofrem com câncer de próstata

Para os homens que estão acima do peso, uma descoberta feita ano passado pelo centro de pesquisa em genética e epidemiologia da Universidade de Melbourne, na Austrália, e publicada na Revista Internacional do Câncer, traz um alerta: o risco de morrer por câncer de próstata é quase duas vezes maior naqueles com sobrepeso de mais de 20 quilos durante sua vida adulta. Foi o que revelou um estudo realizado com 17 mil homens, com idades entre 40 e 69 anos.

“A obesidade leva à queda de alguns hormônios, como a testosterona, e ao aumento de outros, como o estrogênio, e isso pode influenciar no aumento da incidência de tumores”, explica Fuser. O especialista ressalta que os obesos também têm resistência à insulina, que é um fator influente para o aumento do risco de câncer de próstata. “Diabéticos tem mais tendência a desenvolver tumores devido a produção do IGF1, hormônio que estimula o crescimento e a reprodução celular”, ressalta.

Outro dado importante, de acordo com o oncologista, é que, além da chance de ter um tipo de câncer mais agressivo, o obeso também apresenta o dobro de chances de haver reincidência da doença, após a retirada do tumor. “Outra questão a ser levada em conta é que os homens obesos têm a próstata maior, o que dificulta diagnosticar um câncer por meio de biópsia”, alerta Fuser.

Combatendo a obesidade

A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal ocasionada por diversos fatores, como nutricionais, fisiológicos, genéticos, psiquiátricos e psicológicos, comportamentais e ambientais. São consideradas obesas as pessoas adultas com Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 30. Já as que têm IMC entre 25 e 29,9 são portadoras de sobrepeso.

Para o especialista, por todos esses motivos, o ideal é a prevenção: adotar uma alimentação saudável e praticar exercícios físicos regularmente.

Recomendações clínicas no estilo de vida

A American Cancer Society e a American College of Sports Medicine desenvolveram diretrizes de alimentação e atividade física para pacientes que tiveram câncer com base na evidência de estudos clínicos ligando dieta, peso e atividade física. Pontos-chave destas recomendações incluem:

·         Manter um peso saudável. Pessoas com sobrepeso ou obesidade devem perder peso para chegar ao peso ideal;

·         Adotar um estilo de vida fisicamente ativo com pelo menos 30 minutos de atividade física moderada a vigorosa em cinco ou mais dias da semana;

·         Consumir uma dieta saudável, com pelo menos cinco porções de frutas e vegetais por dia e ingestão limitada de alimentos processados ​​e carnes vermelhas;

·         Limitar o consumo do álcool a não mais do que uma dose ao dia para mulheres e duas doses ao dia para os homens.