Qual a possibilidade de cura com os novos medicamentos para hepatite C?

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Um dos temas amplamente discutidos durante o Congresso da ALEH no Chile foi o das as possibilidades de cura com os novos medicamentos para tratamento da hepatite. A continuação faço uma compilação do que foi apresentado nesse tema.

Os novos esquemas de tratamentos são os responsáveis por uma verdadeira revolução no tratamento da hepatite C.

Na era dos tratamentos com interferon existiam muitos fatores negativos para se obter sucesso com a terapia, fatores esses como carga viral alta, fibrose avançada, peso acima do ideal, resistência à insulina, diabetes tipo 2, co-infecção HIV/HCV, transplantados de fígado, pacientes que fracassaram a um tratamento anterior e, ainda, vários outros fatores que prejudicavam o tratamento.

Na nova era dos medicamentos orais libres de interferon, chamados de medicamentos de ação direta ou pela sua abreviação “DAA”, a maioria dos tratamentos é realizado em 12 semanas atingindo índices de cura acima de 90% em pacientes sem cirrose.

Na atualidade qualquer medicamento que obtenha uma cura inferior a 90% já está sendo considerado de resposta sub-otima e raramente será recomendado ou será colocado no mercado.

Com os novos medicamentos existe um único fator negativo, que é a cirrose. Pacientes com cirrose podem ter menor resposta ao tratamento ou precisar de esquemas mais longos de tratamento.

Mas é necessário entender que existem dois tipos de cirrose, a “cirrose compensada” e a “cirrose descompensada” e dentro deles existem diferentes níveis de avanço da doença.

Pacientes sem cirrose chegam a ter até 100% de possibilidades de cura com os novos medicamentos, já nos pacientes com cirrose as possibilidades de cura são variáveis conforme o estágio da cirrose, sendo de até 95% nos casos de cirrose leve podendo chegar a somente 50% nos casos graves de cirrose descompensada no estágio 4.

EXPLICANDO OS DIVERSOS ESTÁGIOS DA CIRROSE:

Na “cirrose compensada” temos o ESTÁGIO 1 no qual ainda não aparecem varizes no esôfago, sendo um quadro leve no qual a possibilidade de a cirrose levar a morte é de apenas 1,5% ao ano. No ESTÁGIO 2 as varizes no esôfago aparecem e a possibilidade de morte por causa da cirrose chega a ser de 10% ao ano.

Nos quadros de “cirrose descompensada” o ESTÁGIO 3 se apresenta quando existem sangramentos nas varizes do esôfago e nesse caso a possibilidade de morte chega aos 20% ao ano. No ESTÁGIO 4 aparecem sintomas como eventos de ascites repetitivos e a encefalopatia hepática, sendo este o quadro mais grave, com possibilidades de morte entre 30% e 80% ao ano.

Os quadros de cirrose podem ser identificados utilizando métodos não invasivos, como a elastografia ou Fibroscan®, ainda com simples métodos como o APRI ou FIB-4, ficando a biopsia para situações especiais de diagnóstico.

 

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