Obesidade, gordura no sangue e anabolizantes aumentam câncer de fígado entre jovens

Câncer de fígado é o sexto tumor mais frequente do mundo.

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A obesidade, os problemas de gordura no sangue e o uso de anabolizantes para modelar o corpo têm ampliado a incidência de câncer de fígado em pacientes mais jovens. Segundo o hepatologista e professor titular da faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Raymundo Paraná, as doenças hepáticas são bastante predominantes em todos os continentes. “Existem atualmente 500 milhões de portadores de hepatite B, 170 milhões de portadores da hepatite C e boa parte da população está acima do peso ideal”, diz o médico, ressaltando que, paralelamente a isso, 15% da população adulta mundial tornou-se diabética.

Paraná lembra que todas essas doenças estão associadas ao câncer de fígado. Portanto, acredita, a tendência é de crescimento progressivo do número de casos. “Muitos países desenvolveram e planejam estratégias de enfrentamento do câncer de fígado no futuro, mas no Brasil ainda estamos longe desta perspectiva”, diz o hepatalogista.

O tema será abordado durante a realização da 19ª edição do Simpósio Hepatologia do Milênio que será realizada entre os dias entre os dias 13 e 15 de julho, no Bahia Othon Palace, e reunirá mais de mil profissionais das áreas de hepatologia, gastroenterologia, infectologia e pediatria. A relevância do tema se deve ao fato de que o câncer de fígado é o sexto tumor mais frequente do mundo. Em algumas regiões onde a prevalência é grande para hepatite B e C, torna-se o quinto mais frequente.

“Os pacientes cirróticos têm uma incidência anual de câncer que varia de 3% a 5%, portanto são indivíduos de grupo de risco que merecem rastreamento com ultrassonografia de seis em seis meses”, pontua o médico, reforçando que a doença está fortemente associada à presença de cirrose hepática de qualquer natureza, sobretudo cirrose induzida pela hepatite C e esteato-hepatite não alcoólica.

“O câncer de fígado num paciente que não é portador de cirrose costuma está associado à hepatite B, ao consumo de toxinas chamadas aflatoxinas em alimentos (muito comum na África), ao diabetes e ao uso de anabolizantes (bombas)”.

Crônicas e preveníveis

A nutricionista Camila Berbet explica que o fígado é um órgão vital, responsável por inúmeras funções no organismo, dentre elas a remoção de toxinas do sangue, metabolismo de carboidratos, proteínas e gorduras, armazenamento de nutrientes e produção de substâncias essenciais.

“Contudo, a obesidade é uma epidemia mundial que vem sendo considerada uma das grandes causas para inúmeras doenças que podem acometer a saúde hepática, como por exemplo a esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado), cirrose hepática e até mesmo o câncer”.

Segundo ela, o excesso de peso já é fator de risco para o aparecimento de diabetes mellitus, hipertensão arterial e dislipidemias. Todas elas estão relacionadas com o desequilíbrio das funções orgânicas do fígado. “O consumo em excesso de alimentos ricos em carboidratos refinados estimula a produção de insulina (hormônio responsável por captar a glicose no sangue), sendo causa de uma resistência periférica à ação deste hormônio e induzindo o maior acúmulo de gordura na célula hepática”, completa Camila.

Ela explica que essa situação gera um ciclo altamente danoso para a saúde, uma vez que o acúmulo crônico de gordura também resulta na formação de radicais livres, substâncias tóxicas produzidas pelo próprio organismo. Quando eles estão dentro de uma quantidade considerada normal, o organismo saudável consegue eliminá-las. Caso contrário, os radicais livres se acumulam e podem causar doenças.

“Devido ao fígado ser responsável por este sistema natural de eliminação das toxinas (a chamada destoxificação hepática), a nutrição tem fator indispensável na promoção à saúde e prevenção de doenças hepáticas, desde o acúmulo de gordura até complicações mais graves como o câncer”.

Ilusões perdidas
Para Paraná é assustador o número de pacientes que, hoje, apresentam doença de fígado pela exposição aos anabolizantes. “Na maioria das vezes, as lesões nos órgãos e tecidos acontecem mais de dez anos após o uso e o paciente sequer lembra-se que o culpado da sua doença foi um prescritor irresponsável que utilizou medicamentos de forma errada e com falsas premissas de modular o seu corpo e aumentar o desejo sexual”, diz.

A depender do estágio, o câncer de fígado pode ser curável. Se o diagnóstico for precoce e o paciente tiver uma boa função do fígado pode-se tratar cirurgicamente ou através da utilização da radiofrequência. Raymundo Paraná explica que nesse tratamento, o tumor é queimado por meio da introdução de uma agulha através da pele.

Fonte: Correio24h

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