Nova droga bloqueia gene que conduz o crescimento de vários tipos de câncer

Testado em ratos, composto foi capaz de atingir o tecido e parar o desenvolvimento do tumor

Célula de câncer: atingir a proteína pode ser um novo conceito na criação de medicamentos - Latinstock

Célula de câncer: atingir a proteína pode ser um novo conceito na criação de medicamentos – Latinstock

NOVA YORK – Quando está ativa, uma proteína chamada Ral pode conduzir o crescimento do tumor e a metástase em diversos tipos de câncer, como o de pâncreas, próstata, cólon e bexiga. Até agora medicamentos que bloqueiam esta atividade não estão disponíveis. Mas um estudo publicado neste domingo na revista “Nature” usa um novo approach para atingir a ativação dessa proteína:

“Quando se pretende evitar a mordida de um crocodilo, um caminho é manter a boca dele fechada. Tentamos uma nova maneira: colocamos um palito para segurar a boca dele aberta”, disse o pesquisador Dan Theodorescu, professor de Urologia e Farmacologia e diretor do Centro de Câncer da Universidade do Colorado. Ele conduziu uma equipe multidisciplinar das universidades do Colorado, Indiana, Virginia e Yale.

O estudo usou sofisticados modelos de computador para examinar a estrutura da proteína Ral em sua forma “inativa”, buscando especificamente por mudanças em sua estrutura quando a proteína ficava ativa. A Ral “inativa” tem uma cavidade que desaparece quando a proteína se torna ativa. E esta foi “a boca do crocodilo” que os pesquisadores tiveram que segurar.

O trabalho foi colocar 500 mil compostos nesta cavidade, o que resultou em 88 pequenas moléculas candidatas a inativar Ral. Os pesquisadores levaram as descobertas a células humanas cancerígenas para testar qual causaria maior redução na ativação da proteína Ral. Eles encontraram a molécula RBC8, a partir dela sintetizaram o composto que chamaram de BQU57 e testaram em ratos. Horas depois da primeira dose, BQU57 atingiu o tecido do tumor e parou seu crescimento.

— Precisamos otimizar esse composto e testar a toxicidade em diversas espécies de animais, além de determinar se a administração do medicamento será oral ou intravenosa antes de partir para os testes clínicos — disse Theodorescu. — Mas o conceito de atingir proteínas que colaboram com a ativação do câncer pode ser usada para descobrir proteínas que estão por trás de outras doenças — acredita.

 Fonte: O GLOBO

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