Isoflavona de soja e efeitos hormonais

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Na última década, os efeitos hormonais da soja foram abordados em mais de 1.000 artigos publicados em periódicos científicos internacionais. As questões, consideravelmente polêmicas, envolvem o conteúdo de isoflavonas da soja, substâncias com estrutura semelhante à do 17-beta-estradiol, conhecidas como fitoestrógenos.
As isoflavonas são capazes de se ligar ao receptor de estrógeno (ER), atuando como moduladores seletivos; assim, podem exercem atividades agonistas ou antagonistas do receptor, dependendo das concentrações locais de estrógeno. Grande parte da controvérsia relacionada a estas substâncias surgiu a partir de evidências in vitro e de estudos com animais, em alguns dos quais as isoflavonas aumentaram a proliferação tumoral, enquanto em outros apresentou o efeito oposto.
Recentemente, Fritz et al. (2013) conduziram uma revisão sistemática incluindo 131 artigos e concluíram que não existem evidências de que a soja exerce efeitos estrogênicos em humanos ou aumenta o risco de câncer de mama. Pelo contrário, o consumo semelhante ao padrão asiático (2-3 porções diárias, contendo 25-50 mg de isoflavonas) pode proteger contra o desenvolvimento de câncer de mama, assim como sua recorrência e mortalidade.
Em pacientes com câncer de mama, além do potencial benefício de melhora do prognóstico e prevenção da recorrência do tumor, a soja é indicada no contexto de uma alimentação saudável, para auxiliar no controle de fatores de risco cardiovascular. De fato, em mulheres pós-menopausa, o consumo de isoflavonas foi associado com menor espessamento da camada íntima-média da artéria carótida, sugerindo que o benefício cardiovascular também é mediado pelo efeito hormonal da soja.
Outra vantagem da ligação das isoflavonas aos ER é o alívio de sintomas da menopausa, principalmente os fogachos. Por meio de uma metanálise, Taku et al. (2012) revelaram que o consumo médio de 54 mg/dia de isoflavonas pode reduzir em 21% e em 26% a frequência e a intensidade dos fogachos, respectivamente. Quanto ao efeito positivo de alimentos à base de soja sobre a saúde óssea, incluindo menor risco de fraturas, este não parece decorrer da ação de isoflavonas, pois os estudos indicam ausência de relação entre estas substâncias e a densidade mineral óssea.
Em homens, alguns relatos de caso de consumo de soja em quantidades muito elevadas (ee 12 porções/dia) suscitaram a possibilidade de esta induzir feminização, como ginecomastia, por exemplo. Todavia, Messina (2010) revisou os estudos clínicos disponíveis na literatura e constatou que a exposição de homens às isoflavonas não afeta os níveis circulantes de testosterona livre ou total e não induz feminização quando a ingestão de soja é igual ou mesmo maior do que a de homens asiáticos, ao redor de seis porções diárias.
Em crianças, o número de pesquisas é consideravelmente menor. Alguns trabalhos indicam que o consumo de soja pode proteger contra o desenvolvimento de câncer de mama na vida adulta e é seguro, na medida em que não parece promover alterações significativas nas concentrações de hormônios sexuais, embora mais estudos devam ser realizados na faixa etária pediátrica.
Assim, analisando os estudos acima, é possível notar que o conjunto de evidências atuais confirma que as isoflavonas exercem efeitos hormonais, porém diferentes do estrógeno, e que podem ser benéficos na prevenção de doenças cardiovasculares, sintomas da menopausa e prevenção do câncer de mama. Trabalhos futuros são necessários para poder determinar os tipos de intervenção e as doses de isoflavonas mais efetivas para alcançar os efeitos desejados.

 

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Fonte:  http://www.atribunamt.com.br/2014/07/isoflavona-de-soja-e-efeitos-hormonais/

 

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