Aumento de casos de sífilis e outras doenças preocupa autoridades

Número de grávidas com a doença subiu de 1,8 mil para 21 mil em 9 anos. Dados preliminares apontam 28 mil casos em 2014.

Aumento de casos de sífilis e outras doenças preocupa autoridades

Além do aumento dos casos de dengue e de zika no Brasil, a evolução dos números de outras doenças também preocupa.

Uma mulher tomou um grande susto. Uma mancha nas costas e um diagnóstico nada agradável há pouco tempo: sífilis. Ela pegou a doença numa relação sexual sem camisinha.
“Eu nunca imaginei que poderia ter sífilis na minha vida, nunca. Nunca. É muito estranho. Assim, é desesperador”, afirma.

Estranho, mas comum. Os casos de sífilis estão crescendo no Brasil, ao contrário do que acontece no mundo, e com graves consequências. Ela pode passar de mãe para filho e causar no bebê danos no cérebro e deformações.

A notificação de sífilis em gestantes é obrigatória desde 2005. Em nove anos, o número de grávidas com a doença subiu de 1,8 mil para 21 mil. E dados preliminares apontam 28 mil casos em 2014.

O tratamento é simples – é usado um antibiótico muito conhecido, a penicilina. Mas, o medicamento começou a faltar no exterior e afetou o Brasil. Estados e prefeituras enfrentam dificuldades para comprar o remédio.

Um documento interno do Ministério da Saúde relata que no fim de janeiro, 60% dos estados não tinham penicilina.

O diretor do departamento de doenças sexualmente transmissíveis e Aids pede urgência na compra para combater sífilis em adultos e bebês.

Em Goiânia, a Secretaria de Saúde confirma a falta da medicação. O ministério informou que fez uma compra emergencial de penicilina – quase três milhões de frascos. Os primeiros lotes chegam em março.

Especialistas afirmam que estamos em uma epidemia por falhas na saúde pública e falta de prevenção.

“O acesso ao pré-natal é ruim, o diagnóstico de sífilis é tardio e o tratamento não está sendo feito adequadamente por falta do medicamento muitas vezes e por ele ser, o tratamento está sendo tardio”, diz Tânia Vergara, vice-presidente da Sociedade de Infectologia – RJ.

“É espantoso o aumento de casos de sífilis, seja no consultório público ou privado, seja nas classes sociais menos favorecidas e até em classes mais altas. Sífilis é uma doença que hoje não escolhe classe social”, comenta Alexandre Cunha, infectologista.

Os médicos também alertam para o crescimento de outras doenças sexualmente transmissíveis como gonorreia e herpes genital, que não constam nas estatísticas do governo. O secretário de atenção à saúde diz que o hábito do preservativo precisa voltar.

“O uso da camisinha diminuiu entre os jovens, existem várias pesquisas demonstrando isso e isso amplia o risco não só pra sífilis, mas para as outras doenças sexualmente transmissíveis”, afirma Alberto Beltrame, secretário de Atenção à Saúde, Ministério da Saúde.

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