Alzheimer: Um tipo de “diabetes cerebral”

A insulina é um importante hormônio pancreático que promove a entrada de glicose nas células, promovendo a diminuição da glicemia, atuando dessa forma no metabolismo de carboidratos, lipídeos e proteínas. Quando o organismo não consegue produzir este hormônio (como ocorre em casos de diabetes tipo 1) ou adquire resistência a ele (caso de diabetes tipo 2), uma série de problemas são desencadeados.

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Durante muito tempo acreditava-se que a insulina não tinha ligação com o sistema nervoso central. Mas nos anos 80 vários grupos de pesquisa localizaram o hormônio e seu receptor no cérebro. O indicava que a insulina cruzava a barreira hematoencefálica. Pouco tempo depois foi descoberto que o hormônio desempenha papel importante no aprendizado e na memória. Pessoas que injetavam ou ingeriam insulina imediatamente melhoravam sua capacidade de lembrar histórias ou de recorrer à memória. O aprendizado também aumenta os níveis de insulina: ratos ensinados a realizar tarefas associadas à memória espacial tinham níveis de insulina no cérebro mais altos que os dos ratos sedentários.insulina-2

 

Como o sistema nervoso demanda de uma grande quantidade da energia total do organismo, a insulina é essencial para o cérebro. Assim anormalidades na insulina estão associadas a doenças neurodegenerativas, não só a doença de Alzheimer, como também a doença de Parkinson e doença de Huntington.

 

A neuropatologista Suzanne De La Monte e colaboradores (Brown University – Revista Scientific American) questionaram se a insulina no cérebro poderia ter alguma relação com a doença de Alzheimer (que se caracteriza pela perda de memória). Comparando níveis de insulina de seus receptores pós-morte em cérebros saudáveis e de pacientes com Alzheimer obteve-se que níveis médios do hormônio nas áreas neurais associadas ao aprendizado e à memória eram até quatro vezes superiores nos cérebros saudáveis que, por sua vez, também apresentavam até dez vezes mais receptores de insulina.

 

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Em outras palavras, o Alzheimer seria, em uma comparação grosseira, como uma diabetes do cérebro, por ter relação com a interferência da sinalização do hormônio insulina (o mesmo cuja função se apresenta desregulada no organismo de diabéticos). Assim, a doença seria, de acordo com alguns pesquisadores, o “diabetes tipo 3”.

Um excelente artigo, e super recente, publicado em abril de 2012, que traz o titulo “An anti-diabetes agent protects the mouse brain from defective insulin signaling caused by Alzheimer’s disease–associated Aβ oligomers” (em português : “Um agente anti-diabetes protege o cérebro de rato a partir de defeito de sinalização de insulina causada pela doença de Alzheimer associadas oligômeros Aβ”) conseguiu bons resultados quanto a relação entre Alzheimer e resistência ao hormônio insulina.

Vale muito a pena dar uma lida no artigo, mas para aqueles que não vão ter tempo, das discussões dos resultados contidas nesse artigo, aqui estão alguns pontos muito interessantes merecem destaque:

1)    Evidencias sugerem que resistência à insulina desenvolve o Alzheimer.

2)    Níveis de insulina e de receptores de insulina são mais baixos em cérebros afetados com o mal de Alzheimer.

3)    Sinalização de insulina no cérebro foi documentada em análises pós-morte de pacientes com Alzheimer e também em animais modelos de estudos da doença, apresentando deficiência em ambos os casos.

4)    A sinalização por insulina é particularmente importante para aprendizado e memória, sugerindo que a resistência à insulina possa contribuir para déficits cognitivos na doença de Alzheimer.

5)    Estudos recentes mostram que diabetes tipo 2 aumenta o risco de doença de Alzheimer e uma nova forma reconhecida de resistência à insulina cerebral foi conectada à doença.

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Fonte:

Post escrito por Natália Menezes Corrêa

Referencias bibliográficas

http://www.meditt.com/blog/?m=201101http://alzheimer-gcmrs.blogspot.com.br

http://hypescience.com/mal-de-alzheimer-pode-ser-um-tipo-de-diabetes-dizem-cientistas/

http://www.jci.org/articles/view/57256

 

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