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Um terço dos medicamentos vendidos no Brasil é falso.

MEDICAMENTO FALSIFICADO

Só neste mês de janeiro, a Agência Nacional de Saúde (Anvisa) identificou, apreendeu, destruiu e proibiu a comercialização de lotes do hormônio do crescimento Hormotrop, o esteróide Durateston e o antianêmico Hemogenin, além do Viagra e do Cialis, ambos contra a disfunção erétil. Segundo a agência, a decisão se deve pelo risco que os medicamentos falsificados representam à saúde.

Com base em dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP) estima que um terço dos medicamentos vendidos no Brasil é falsificado. São produtos que tiveram suas fórmulas e data de validade adulteradas por organizações criminosas que utilizam laboratórios clandestinos e os comercializam por meio do contrabando.

A falsificação de medicamentos é crime no Brasil, que pode ser punido com até 15 anos de prisão. No entanto, tem aumentado. Segundo dados da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), que reúne os maiores laboratórios, em 2008 foram apreendidas 500 mil unidades de medicamentos falsos (comprimidos e ampolas). Em 2010, o número subiu para 18 milhões.

Um relatório da Faculdade de Farmácia da Universidade de Londres, divulgado em dezembro passado, reforça que os países pobres e em desenvolvimento são os que mais sofrem com a pirataria. Para se ter uma ideia, segundo o documento, entre 15% e 50% de todos os remédios para tratar malária na África e em parte da Ásia eram falsificados. Para a Organização Mundial da Saúde, todos os países devem reforçar suas agências e investir na detecção desses produtos.

“A falsificação é menor nos países desenvolvidos porque as instituições estão consolidadas, são conhecidas e respeitadas. E se forem desrespeitadas, há punição para os infratores”, diz o presidente do Fórum Nacional contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), Edson Vismona. “Nos países em desenvolvimento não funciona assim. As instituições não se consolidaram e a impunidade é grande. Um convite à ilegalidade.” Como lembra o advogado, há diversos produtos falsificados que a população compra mesmo sabendo não se tratar de originais. “Mas no caso dos medicamentos é diferente. As pessoas compram enganadas, colocando em risco sua saúde.”

Conforme alerta Vismona, os medicamentos falsificados geralmente são encontrados em farmácias inidôneas, ilegais, localizadas nas periferias das grandes cidades e em sites da internet. Também são contrabandeados de outros países. E embora não seja muito comum no Brasil, em países vizinhos, como o Paraguai, eles são oferecidos nas ruas, por vendedores ambulantes. Os falsificados mais vendidos são imitações de medicamentos contra a disfunção erétil, como o Viagra e o Cialis. “Por isso, orientamos o consumidor a procurar estabelecimentos sérios, conhecidos, que não vão colocar em risco sua reputação vendendo produtos falsos.”

Uma grande preocupação, segundo Vismona, é que esses medicamentos também chegam à rede hospitalar. “Por isso, os hospitais, públicos e privados, devem aperfeiçoar seus mecanismos de farmacovigilância, identificando os medicamentos que não são originais antes que sejam utilizados. Do mesmo modo, os processos licitatórios devem ter cuidado redobrado, assegurando a compra de produtos originais, efetivamente especificados nos processos de compra”, afirma.

Em nota, a Anvisa afirmou que a fiscalização sobre a venda de medicamentos é feita prioritariamente pelos órgãos de vigilância sanitária nos estados e municípios, que realiza um trabalho de parceria e suporte técnico junto com os órgãos de vigilância sanitária locais e esferas policiais para coibir a venda irregular de medicamentos e que o objetivo do trabalho conjunto é identificar e desmontar as quadrilhas especializadas na produção, publicidade e venda de produtos sem registro. Ainda segundo a assessoria de imprensa do órgão, a agência monitora a venda de produtos irregulares pela internet, que já levou ao fechamento de laboratórios e distribuidoras de medicamentos clandestinos, a apreensão de toneladas de produtos irregulares, além das prisões, autos de infrações e notificações.

Sancionada há quatro anos, a Lei 11.903, que determina o rastreamento de todos os medicamentos produzidos, dispensados ou vendidos em todo o Brasil por meio de sistema de identificação exclusivo com uso de tecnologia de captura, armazenamento e transmissão eletrônica de dados. Pela lei, que ainda não foi implementada em sua totalidade, a Anvisa tem de desenvolver e aplicar o Sistema de Controle de Medicamentos, o que ainda está em discussão.

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Novo método para produzir células-tronco promete ser mais simples e menos polêmico.

Estudo publicado na “Nature” defende que é possível produzir células capazes de se transformar em qualquer tecido do corpo sem a necessidade de clonagem ou manipulação genética

Uma forma mais simples, barata, rápida e menos polêmica de criar células-tronco em laboratório pode abrir portas para uma nova era da medicina regenerativa. Um estudo publicado ontem na revista “Nature” apresentou um novo método que foi avaliado como revolucionário por uma série de cientistas. Inicialmente aplicado em camundongos, ele poderia reparar tecidos e órgãos humanos sem a necessidade de clonagem ou manipulação genética.

Na técnica, chamada de “aquisição de pluripotência desencadeada por estímulos” (Stap, na sigla em inglês), células extraídas de camundongos foram simplesmente imersas numa solução moderadamente ácida, com pH de 5,5, por cerca de meia hora, para se transformarem nas células estaminais, capazes de se tornarem tecidos variados no organismo.

Técnica inicialmente rejeitada

Pesquisadores japoneses tiveram a ideia de desenvolver esta técnica por acaso, quando notaram que células espremidas num tubo capilar encolhiam para o tamanho de células-tronco. A partir daí, começaram a estudar como os efeitos do ambiente poderiam afetá-las. Eles chegaram à conclusão de que era possível converter células sanguíneas retiradas de camundongos recém-nascidos em células que se comportavam como as tronco. Depois fizeram o mesmo com células do cérebro, da pele, do músculo e da medula óssea. O estudo foi rejeitado várias vezes antes de ser publicado, mas acabou ganhando a atenção de uma das principais revistas científicas do mundo.

— Todos falavam que era um artifício. Tivemos dias bastante difíceis — comentou Haruko Obokata, bióloga do Centro Riken de Biologia do Desenvolvimento, em Kobe, no Japão, autora do estudo que começou há cinco anos.

O corpo humano é composto de células com papéis específicos — células nervosas ou musculares, por exemplo. Já as células-tronco são aquelas que se transformam em qualquer tecido e representam um grande campo de pesquisa por seu potencial regenerativo. A descoberta surpreendeu os cientistas porque as tentativas anteriores de produzir células-tronco tinham sido repletas de dificuldades.

— Esta abordagem é de fato revolucionária. Trará uma mudança enorme na forma como cientistas percebem a interação entre ambiente e genoma — comentou à “BBC” Dusko Ilic, especialista em células-tronco do King’s College London.

Uma das formas conhecidas é a clonagem, que é polêmica porque envolve a criação e a destruição de embriões. No Brasil, a pesquisa com este tipo de célula é permitida pela Lei de Biossegurança (11.105/05).

— Aqui este debate já está resolvido — disse Stevens Rehen, chefe do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias da UFRJ.

Existem também as células-tronco adultas retiradas de tecidos de placenta, cordão umbilical ou medula óssea, em geral menos versáteis que as embrionárias. Além disso, há as células-tronco de pluripotência induzida (iPS), um método de manipulação genética criado na última década. Neste caso, são retiradas células da pele do indivíduo, e é introduzido um vírus contendo genes que entram no DNA da célula e reprogramam o seu código genético, levando-a de volta ao seu estágio embrionário.

— Esta pesquisa é revolucionária até pela sua simplicidade — declarou Rehen. — O trabalho da “Nature” é interessante porque torna o processo de reprogramação em estágio embrionário ainda mais simples. Já temos a reprogramação com vírus, e agora é um simples estímulo, de alteração de pH, que promove isto.

Segundo Rehen, um dos grande benefícios da técnica é redução de custo e tempo.

— O ponto central é ter atualmente agilidade e custos reduzidos para produzir células-tronco, a matéria-prima da medicina regenerativa. Hoje gastamos R$ 20 mil por reprogramação de células — explicou Rehen, que espera os novos passos da pesquisa. — Vamos testar isso, e se for confirmado que a técnica é robusta como o artigo está vendendo, ela vai quebrar um paradigma. Ou, ao contrário, pode morrer. É assim que a ciência funciona.

Um dos achados considerados impressionantes no artigo é que as células Stap são também capazes de formar tecido placentário, algo que nem as células embrionárias ou as iPS podem. Isto poderia tornar a clonagem muito mais fácil, segundo Teruhiko Wakayama, da Universidade de Yamanashi, no Japão, pioneiro em clonagem de camundongos. Ele foi inclusive um dos que inicialmente considerava que o projeto seria “um grande esforço em vão”. Mas acabou acreditando na pesquisa e colaborando com o seu avanço. Foi ele quem, por exemplo, sugeriu que fossem manipuladas células de animais recém-nascidos e não de adultos.

Atualmente, a clonagem requer a extração de óvulos não fertilizados, a transferência de um núcleo para o óvulo, o cultivo in vitro de um embrião e, em seguida, a transferência do embrião para um substituto. Se as células Stap puderem criar a sua própria placenta, elas podem ser transferidas diretamente para o substituto. Wakayama é cauteloso, no entanto, ao dizer que a ideia está atualmente no “estágio dos sonhos”.

A pesquisadora japonesa já foi capaz de reprogramar uma dezena de tipos de células, incluindo as cerebrais, da pele, do pulmão e do fígado, sugerindo que o método poderá funcionar com a maioria dos tipos de célula. Segundo Obokata, em média, 25% das células sobrevivem ao estímulo externo e 30% destas se convertem em pluripotentes — uma proporção alta em comparação com as células iPS (1% sobrevive e são necessárias semanas para se tornarem pluripotentes). Ela quer agora aplicar o novo método em células de camundongos adultos e, posteriormente, em humanos.
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FONTE:  http://oglobo.globo.com/saude/novo-metodo-para-produzir-celulas-tronco-promete-ser-mais-simples-menos-polemico-11442422#ixzz2rt607nnM

Genética pode ser a causa de problemas na cura de uma fratura.

Estudo brasileiro identificou alteração em dois genes que prejudicam a consolidação do osso e ainda conseguiu estimular o processo a partir de células-tronco.

RIO – Um novo estudo brasileiro, publicado no “Journal of Orthopaedic Research”, mostrou que a alteração em dois genes prejudica a recuperação de algumas pessoas que sofrem fratura no osso. Além disso, a partir de células-tronco, o grupo de pesquisadores conseguiu reverter este processo em alguns pacientes.

Para chegar ao resultado, a pesquisa do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) avaliou 101 indivíduos que sofreram uma fratura e se recuperaram normalmente, além de 66 pacientes com problemas na reabilitação.

Geralmente, a área afetada sofre um hematoma e, em seguida, forma-se um calo ósseo, uma espécie de trança de tecido ósseo, que promove a união das duas partes do ossos separadas. Em alguns casos, no entanto, a fratura não “cola” e surge, então, uma falsa articulação, conhecida como pseudoartrose. Neste caso, o osso não volta ao normal, mesmo depois de mais de seis meses.

– Notávamos que alguns pacientes não se recuperavam, mesmo com um procedimento padrão. Foi daí que suspeitamos que poderia haver uma relação com alterações genéticas para a não consolidação óssea – comentou um dos autores do estudo, João Matheus Guimarães, coordenador de Ensino e Pesquisa e diretor interino do Into.

Os pesquisadores notaram que neste pacientes com problemas de reabilitação havia uma alteração nos genes BMP4 (estimulante de formação de osso) e do FGFR1 (estimulante de formação de fibrose). Segundo Guimarães, é preciso um equilíbrio entre a formação de osso e fibrose, e consequentemente, destes dois genes para a cura de uma fratura.

No mesmo estudo, eles injetaram células tronco para estimular a recuperação do fêmur de 16 pacientes. Cinquenta por cento deles tiveram melhora, segundo o pesquisador.

– Nós aspirávamos células-tronco da medula óssea, que eram processadas em laboratório e injetadas 40 minutos depois na perna do próprio paciente. Entre quatro a oito meses, eles se recuperavam – explicou Guimarães. – Trata-se de um procedimento minimamente invasivo. No caso da pseudartrose, a indicação é uma cirurgia.

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FONTE:  http://oglobo.globo.com/saude/genetica-pode-ser-causa-de-problemas-na-cura-de-uma-fratura-11417699#ixzz2rse6BqYJ

Terapia genética cura seis crianças em testes clínicos.

Cientistas usaram vírus da família do HIV modificados para consertar DNA defeituoso

RIO – Cientistas usaram vírus modificados da família do HIV, causador da Aids, para curar raras doenças genéticas em crianças. Conhecidos como lentivírus, estes micro-organismos têm uma capacidade única de alterar o DNA das células que invadem, o que faz deles promissores veículos para consertar defeitos nelas por meio da chamada terapia genética. Com esta ideia na cabeça, em 1996 Luigi Naldini e sua equipe de pesquisadores do Instituto Telethon de Terapia Genética de San Raffaele (Tiget), na Itália, iniciaram estudos em laboratório para transformá-los em armas contra diversos males.

Agora, quase 20 anos depois, os cientistas italianos relatam em artigos publicados na edição da revista “Science” desta semana vitórias sobre duas doenças graves, a leucodistrofia metacromática e a Síndrome de Wiskott-Aldrich. Ambas são originárias de defeitos no DNA que resultam na deficiência na produção de uma proteína essencial para o organismo nos primeiros anos de vida. No primeiro caso, isso afeta o sistema nervoso dos bebês, que inicialmente parecem saudáveis mas gradualmente começam a perder as habilidades cognitivas e motoras adquiridas, sem chance de reverter o processo neurodegenerativo. Já no segundo, falhas no sistema imunológico deixam as crianças mais suscetíveis a desenvolverem infecções, doenças autoimunes e câncer, assim como problemas com as plaquetas que causam sangramentos frequentes.

Ao todo, os pesquisadores trataram 16 pacientes, dez vítimas de leucodistrofia metacromática e seis da Síndrome de Wiskott-Aldrich. Os artigos, no entanto, relatam apenas seis dos casos, três de cada doença, em que o período passado desde o início da terapia, em 2010, permitiram aos cientistas tirarem conclusões quanto a sua eficácia e segurança.

– Três anos após o começo dos testes clínicos, os resultados obtidos para estes primeiros seis pacientes são muito encorajadores: a terapia não só é segura mas também efetiva e se mostrou capaz de mudar o históricos clínico destas graves doenças – comentou Naldini. – Depois de 15 anos de esforços e sucessos no laboratório, mas também algumas frustrações, é realmente excitante poder dar um solução concreta para os problemas destes primeiros pacientes.
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FONTE:  http://oglobo.globo.com/ciencia/terapia-genetica-cura-seis-criancas-em-testes-clinicos-9005317#ixzz2rnJ6tRo3